

Ao longo de agosto, a campanha Agosto Branco tem chamado a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pulmão, uma doença frequentemente descoberta em estágios avançados. Na Santa Casa de Poços de Caldas, o tema também coloca em destaque o trabalho desenvolvido pela Cirurgia Torácica, que conta com os médicos Gustavo Mafra Gomes e Víctor Hugo Carvalho Foureaux no atendimento, principalmente, a pacientes oncológicos.
O Dr. Gustavo integra o serviço desde fevereiro deste ano, enquanto o Dr. Víctor chegou recentemente à instituição. Além da Cirurgia Torácica, Víctor também passou a integrar a equipe de Cirurgia Geral, incluindo os atendimentos de urgência.
“Meu foco principal são os pacientes com câncer de pulmão, tumores do mediastino ou alterações das vias aéreas. Também integro a equipe de Cirurgia Geral, inclusive nos atendimentos de urgência”, explica o Dr. Víctor.
Segundo o médico, já nas primeiras semanas foi possível perceber uma procura significativa pelo serviço, com pacientes que aguardavam avaliação e tratamento cirúrgico.
“Os dois primeiros ambulatórios tiveram bastante movimento. Encontramos uma demanda grande, com pacientes cirúrgicos e oncológicos que aguardavam atendimento, e estamos trabalhando para dar andamento a esses casos”, afirma.

Dr. Víctor Hugo Carvalho Foureaux é um dos cirurgiões torácicos da Santa Casa de Poços
O trabalho da especialidade começa, muitas vezes, antes mesmo da confirmação do câncer. Conforme explica o Dr. Gustavo, a Cirurgia Torácica atende doenças que necessitam de abordagem cirúrgica na região do tórax, com exceção das relacionadas ao coração, e tem no câncer de pulmão uma de suas principais áreas de atuação.
Na investigação da doença, o especialista participa da realização de biópsias, procedimentos que permitem coletar amostras de tecido para análise. Entre os recursos citados pelo médico estão a broncoscopia e a biópsia por agulha guiada por tomografia.
“No câncer de pulmão, muitas vezes temos que fazer a primeira biópsia. Fazemos broncoscopia e também biópsia guiada por tomografia, com uma agulha por fora, para ajudar a descobrir a doença”, explica o Dr. Gustavo.
A partir dos resultados e da avaliação do caso, é definido o tratamento, que pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, conforme as características e a extensão da doença. Quando há indicação cirúrgica, o cirurgião torácico também é responsável pela operação.
O tabagismo está relacionado a aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão. Por isso, interromper o consumo de cigarros e de outros produtos derivados do tabaco é a principal medida para reduzir o risco da doença.
Os benefícios também alcançam quem já recebeu o diagnóstico. De acordo com o Dr. Víctor, parar de fumar pode contribuir para uma melhor resposta ao tratamento e para as condições gerais de saúde do paciente.
“O câncer de pulmão é apenas uma das consequências do tabagismo. O cigarro também está relacionado ao enfisema, às doenças cardiovasculares e ao aumento do risco de infarto, entre diversos outros problemas. Quando o paciente para de fumar, os benefícios aparecem em todo o organismo”, ressalta.
Embora a decisão de abandonar o cigarro seja fundamental, nem todas as pessoas conseguem fazer isso sem auxílio. A dependência da nicotina pode exigir acompanhamento profissional e tratamento individualizado.
“Hoje temos diferentes recursos para ajudar o paciente, como medicamentos, adesivos e gomas de nicotina. Cada caso precisa ser avaliado para que seja indicada a estratégia mais adequada”, orienta o médico.

O Dr. Gustavo integra o serviço desde fevereiro deste ano
Um dos principais desafios do câncer de pulmão é o fato de a doença poder evoluir sem apresentar sintomas em sua fase inicial. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, presença de sangue no escarro e perda de peso sem causa aparente são sinais que precisam de avaliação médica.
O Dr. Gustavo destaca que pessoas com histórico de tabagismo devem procurar acompanhamento, mesmo na ausência de sintomas, para avaliar a necessidade de investigação e de exames periódicos.
“É muito importante procurar um pneumologista para fazer esse acompanhamento e identificar o câncer de pulmão na fase inicial, quando ainda existe a possibilidade de cirurgia e de um tratamento com chance de cura. Muitas vezes, o câncer de pulmão é silencioso”, alerta.
Pessoas com maior risco podem ter indicação para o rastreamento por meio de tomografia computadorizada de baixa dose. A avaliação considera fatores como idade, quantidade de cigarros consumida, tempo de tabagismo e há quanto tempo a pessoa deixou de fumar. A necessidade do exame e sua periodicidade devem ser discutidas individualmente com um médico.
Um dos critérios utilizados é a carga tabágica igual ou superior a 20 maços-ano. Esse índice é calculado multiplicando-se o número de maços fumados por dia pela quantidade de anos de consumo. Uma pessoa que fumou um maço por dia durante 20 anos, por exemplo, possui carga tabágica de 20 maços-ano. Esse dado, isoladamente, não define a indicação do rastreamento.
Segundo o Dr. Víctor, identificar a doença cedo pode fazer diferença nas possibilidades de tratamento.
“O nosso objetivo é identificar a doença antes do aparecimento dos sintomas. Quando conseguimos operar os casos iniciais, as possibilidades de cura são muito maiores. Nos estágios avançados, o tratamento se torna mais complexo”, explica.
